Um lobby para chamar de seu

Assembleia dos Estados Gerais, maio de 1789, em Versailles. Por Auguste Couder.
Assembleia dos Estados Gerais, maio de 1789, em Versailles. Por Auguste Couder.

Depois de um primeiro semestre de espantos e emoções inusitadas, abre-se o segundo turno do ano como se todos fossem participar de uma festa estranha com gente esquisita.

Todo mundo precisa fazer lobby. A seu favor ou contra alguém. A começar pelo presidente da República, que tem pautas pessoais, e até os governadores, esquisitamente unidos em torno de uma das três reformas tributárias em desfile (até o fechamento desta edição).

Quem vencerá? A reforma da Câmara, do Senado ou a dos Estados?
Espera-se que o governo também queira participar da festa. Por iniciativa de quem, ainda não foi revelado.

Não se horrorizem com um novo Frankenstein legal. É especialidade das Casas.

A Reforma da Previdência foi um gol da Câmara. O Senado pode empurrar a bola para o fundo da rede ou remetê-la de volta para onde veio.
Teremos novos sobressaltos e jogos de cena. Mais anos inconclusos e décadas perdidas.

Os senadores estão de peito estufados com o farto cacife que receberam sem ir ao caixa. Não compraram, mas vão ganhar.
Não se diz cair do Céu naquela casa, pois o Senado é melhor que o paraíso, diria Darcy Ribeiro.

Há tanto espaço deixado pelo ator principal, que até dá para desconfiar. Ou ter certeza. Ou rir ou chorar. Depende da sua motivação.
O governo central cada vez tem mais a negociar, sem que tenha sido pressionado para tal. Faz autodelação diariamente, sem ganhar balinha.

As reformas inadiáveis são pautas paralelas. Recriaram o Centrão, o Freddy Krueger da política, que só aparece em cena quando alguém, por descaso ou prepotência, abre um buraco para ele.

Ah, teria também o chamado pacote do Moro. Mas o ministro tem para si um horizonte mal encarado. Além de lutar por seu projeto, tem que conviver com o pinga pinga do Telegram. E uma maliciosa CPI das Fake News acena para ele.

Em todas as áreas há demandas quentes ou ferventes. Saúde, segurança e educação, o tripé dos marqueteiros adestrados, continuará dando dor de cabeça para todos os lados do balcão: para quem tem que liberar recursos e quem tem a receber.

O Brasil vai crescer menos de 1%?

O desemprego vai continuar alto? Teremos cinema? Índios? Matas? Tomada de três pinos?

Questões palpitantes.

Já vemos no horizonte o movimento dos setores ociosos, paralisados, desativados, desocupados, apavorados, desasados, quebrados, atropelados, traídos, abandonados e descadeirados. Todos ofendidos e revoltados.

A audiência está global. Todo cuidado é pouco.

Escolha a sua fila.

(Ricardo Ebling)

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